Quem está acompanhando a minissérie Dois irmãos, na TV Globo, deve ter sentido de cara a atmosfera tão característica do diretor Luiz Fernando Carvalho. Tem um toque de Velho chico, uma pitada de Hoje é dia de Maria e até um pouquinho de Meu pedacinho de chão.

A produção, gravada há dois anos e com 10 episódios, foca nos desafetos e intensos conflitos de uma família de imigrantes libaneses em Manaus e, principalmente, na rivalidade entre os gêmeos Omar (Enrico Rocha/ Matheus Abreu/ Cauã Reymond) e Yaqub (Lorenzo Rocha/ Matheus Abreu/ Cauã Reymond).

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Os conflitos familiares são um dos motes da série Dois irmãos (Tv Globo/Divulgação)

A história tem se mantido fiel ao livro homônimo de Milton Hatoum que chegou a ganhar um dos principais prêmios da literatura brasileira, o Jabuti, em 2001. Mas é claro que, por se tratar de uma obra da teledramaturgia tem lá suas “licenças poéticas.” ,

Como diz um amigo meu, Luiz Fernando Carvalho consegue transformar qualquer pessoa em ator. Exemplo mais claro é Juliana Paes, que trabalhou com o diretor em Meu pedacinho de chão e não fez feio e agora repete a dobradinha como Zana, a matriarca da família na segunda fase. A atriz tem sido um dos destaques da trama.

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Juliana Paes está muito bem como Zana (Tv Globo/Divulgação)

Outra que ficou muito tempo mais conhecida pela beleza do que pelo talento e está brilhando em Dois irmãos é Maria Fernanda Cândido, que interpreta a extravagante Estelita. Na fase madura, o papel é de Carmem Verônica. Aliás, as duas estão bem parecidas na série. Maria Fernanda disse que Carmem foi sua grande inspiração.

Não poderíamos deixar de falar dos protagonistas Omar e Yaqub que tiveram pelo menos seis atores os interpretando, juntando a fase de criança, adolescência, juventude e adulta. De todos, o mineiro de Ouro Branco, Matheus Abreu dá um show à parte neste que é seu primeiro trabalho televisivo. Por conta do sucesso, o jovem artista já emplacou um contrato até 2019 com a Globo.

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A semelhança entre os atores Cauã Reymond e Matheus Abreu impressiona (Reprodução/Tv Globo)

Não poderia deixar de falar das locações belíssimas com imagens da floresta Amazônica e do Rio Negro. Sem contar, a cidade cenográfica construída no Projac, os Estúdios Globo, retratando a Manaus do passado.

O único porém é que, vez por outra, os diálogos ficam um pouco confusos por conta da mistura do português com o árabe.

Mas no geral, Dois irmãos é imperdível. Seja a minissérie ou o livro.