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Imagem registrada por Chichico mostra o famoso Passadiço em Diamantina. ( Credito> Chichico Alkimin)

Sou suspeita para falar de Diamantina, cidade onde tenho raízes familiares. Mas quem conhece o antigo Arraial do Tijuco, no Vale do Jequitinhonha, sabe como aquele lugar incrustado na Serra do Espinhaço, é especial. O próprio Carlos Drummond de Andrade, mineiro de Itabira, já dizia que o céu deveria ser uma Diamantina maior.

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O fotógrafo mostrava a vida como ela era (Chichico Alkimin/Divulgação)

Quem estiver de passagem ou morar no Rio de Janeiro tem até outubro para conhecer um pouco mais do trabalho de Francisco Augusto Alkmim ou simplesmente Chichico Alkmin (1886-1978). Depois de viajar por Minas Gerais com seu pai, vendendo jóias, em 1912 estabeleceu-se como fotógrafo na terra de JK, onde montou seu estúdio definitivo em 1919. A cidade não era mais aquela que vivera dias de glória com a farta exploração de diamantes e fez surgir personagens emblemáticos, como a lendária Xica da Silva. Chichico registrou diversas mudanças nesse universo, que flutuava entre a modernização e a tradição, fixando paisagens e habitantes.

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A exposição fica em cartaz até 1º de outubro na Cidade Maravilhosa (Chichico Alkimin/Divulgação)

Uma importante parte do acervo do retratista pode ser conferida na exposição Chichico Alkimin – fotógrafo. Com curadoria de Eucanaã Ferraz, poeta e consultor de literatura do IMS, a mostra apresenta mais de 200 imagens produzidas pelo fotógrafo nascido em Bocaiúva na primeira metade do século XX.

Ao contrário de muitos fotógrafos com estúdios pelo interior do Brasil nesse período, Chichico nunca se limitou a retratar apenas a burguesia diamantinense. Teve como frequentadores de seu estúdio os trabalhadores ligados ao pequeno garimpo, ao comércio e à indústria e também fotografou casamentos,batizados, funerais, festas populares e religiosas, paisagens e cenas de rua.

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Retrato raro do próprio Chichico Alkimin (Acervo IMS)

Realmente, as fotos são de emocionar. Se tiver a oportunidade não deixe de dar uma passada no Instituto Moreira Salles (www.ims.gov.br) na Gávea. A visitação é de terça a domingo, das 11h às 20h. A entrada é gratuita.